sexta-feira, 10 de junho de 2011

POEMA MADRUGADAS


MADRUGADAS

Fim de noites sossegadas
Constituem o meu elan
São as minhas madrugadas
Não impõem os limites que se iniciam com a manhã
Horas de mente mais inspiradas
Talvez um vicioso ciclo
Parecem-me assim as minhas madrugadas
Atentemos no ditado:
“Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde
E faz crescer”
Creio que entrei na onda na hora
Na hora de nascer
O ditado que era do meu mundo rural
Parecerá sem sentido
No mundo actual
Porém as minhas madrugadas
Jamais deixaram o elan
Vivi sempre as suas toadas
A mente durante o dia sonha e vive tanto
Visões sempre deslumbradas
Que à tardinha quando se vislumbra o ocaso
Nada a fazer senão esperar de novo a madrugada
Ela soará e se sentirá
Depois chegará a alvorada
Sem desprimor para outros períodos de tempo
A alma sente que passou uma bonita lufada
Funcionou a inspiração da mente
Como se sentisse uma orvalhada
Uma cintilante orvalhada que se revela
Com o despontar da alvorada

Daniel costa

quinta-feira, 9 de junho de 2011

POEMA LUCIFER

LÚCIFER

Tanto pode ser homem como mulher
Dizem que os anjos não têm sexo
O que se revoltara contra Deus, lúcifer
Seja lúcifer, diabo, mafarrico, ou demónio
Tinha o seu condomínio como um anjo qualquer
A Deus talvez conviesse um mafarrico louco
Vestiu-o de preto expulsou-o do céu
Ficou com um bode expiatório a vaguear um pouco
Criou o inferno e os seus habitantes
Ficaram anjos e arcanjos a vigiar como loucos
Nos seus domínios não serão bastantes
Lúcífer esse anjo que se tornou taralhoco
Prometeu no seu aspecto negro e feio, dia a dia corrompe mais
Com benesses a parecer banais, a fazer sonhar um pouco
Deus também será apenas um
Dizem presente em todos os instantes
Do que se ouve falar é de muitos deuses
Como se fossem veraneantes
A maldade a persistir, também esses a fazer atrair
Lúcífer a criar a cada momento mais apoiantes
Se não vem um infinito Deus e nos acode
Uma parte do mundo fica como louco
A outra um pagode
O homem bom, o que tem sonhos de bondade
Enquanto espera e luta, que se acomode
Ficará sempre um Zé Ninguém
O Zé que tudo pode

Daniel Costa

terça-feira, 7 de junho de 2011

POEMA MULHER DE PRETO

                                          

MULHER DE PRETO

Uma mulher bela e sedutora
Fortaleza de militância social
Ou não fosse uma lutadora professora
Nos seus jogos de sedução, afinal
Por vezes é usual usar vestido preto
Faz a sua militância afincada e usual
Como qualquer mulher do nordeste
Desse nordeste brasileiro
De vivências folclóricas no agreste
Centenas de quilómetros de costas atlânticas
Onde a mulher se pode banhar
A diversidade de rostos femininos
Leva a meditar e espraiar, trás à lembrança o doce luar
Porém a mulher de preto a lutar, tem sempre o teste
Meu Deus!... A dengue, a epidemia sazonal
Que existe no grande Maranhão
Provocada por insecto tropical, poderá ser mortal
A mulher de preto o sofre
Há ali uma questão de salubridade, será normal?
Entre outros, é motivo para a preocupar
Preocupar a bela mulher de preto a lutar pelo seu ideal
Como qualquer mulher nordestina
Na diversidade de rostos femininos, encontramos o ser leal
Atrai-me esse nordeste
Onde militam mulheres, sobretudo a mulher de preto
Um ser que anda sempre na militância social
Já que adoro quem ama o semelhante, ser amigo prometo
Daquela mulher de preto

Daniel Costa


sábado, 4 de junho de 2011

POEMA ATRAÇÃO DO MERCADO


Fotos: Daniel Costa - Mercado da Casquilha
Benfica - Lisboa (09/07/2010)

ATRACÇÃO DO MERCADO

O dia em que vá à praça é amado
Uma jornada que se inicia com graça
Sentir o fervilhar do mercado
Ali naquela truculenta praça
Em tempos idos ao Domingos ia à Ribeira
De Benfica de carro eléctrico
Fazia as compras gastava a manhã inteira
Por grosso, o mercado abastecia toda a Lisboa
Gostar de fazer a viagem
Era ter uma longa visão da bela cidade
Viver a bonita aragem
No que é hoje uma freguesia importante
A da Agência donde partem notícias
Para mundo o mundo inteiro, por vezes matéria aliciante
Dali nada de relevo
Tinha apenas um mercado de levante
Durou poucos anos embora
Veio o da Casquilha, a praça apareceu de rompante
Sendo concêntrico parecia então grande
Uma arquitectura interessante
Criou logo espaços
É ver como tudo foi arrumado
Apareceram filas de bancas, para mais braços
Tudo se vende ali, em todo o lado
A parte exterior é como uma feira
O maná de senhoras encaminhadas, como por um anjo alado
Se várias vezes procurado
Pode ser encontrada roupa, langerie de marca como achado
O mercado de Benfica
Em Lisboa é um potentado

Daniel Costa

sexta-feira, 3 de junho de 2011

POEMA FASCINAÇÃO II

 
FASCINAÇÃO II

Sempre me fascinou o Sertão
Sempre a sonhar
Vou espreitando o Baião
No nordeste há esse verdadeiro folclore
A verdadeira canção
A perpetuar a natureza
É na Bahia, no encantado Sertão
Houve por cá cantadores
Que homenagearam o Baião
Cantaram assim:
“Fizeram tanto Baião
Veio Baião depois
Baião Copacabana, Baião Cazurra
Baião de Dois”
Embora preenchesse o musical espaço
Só haveria sentido no de Dois
Que existe naquele nordestino regaço
Como é interessante o folclore do nordeste
Passar na capital Salvador sonhar com o espaço
Do espaço da Bahia que terá sido agreste
Um tipo de fascinação que tenho pelo mundo
Está bastante naquele nordeste
No grande sertão
Onde o folclore
Trará as gentes em comunhão
Há um não sei explicar o porquê
Virá da admiração pela cidade de Natal
Pela sua orla marítima ou de todo o norte
Vem à imaginação o Maranhão
Anoto grande apreço pelo Brasil
Porém o nordeste se tornou fascinação

Daniel Costa


quinta-feira, 2 de junho de 2011

POEMA O VELHO CACILHEIRO



O VELHO CACILHEIRO

Conhecer os velhos bairros Lisboa
É poético, verdadeira poesia
Ainda que percorridos à toa
Ligar as duas margens do seu rio,
Do velho Tejo também é coisa boa
Sendo a bordo dum velho cacilheiro
Sentir sons em uníssono tão bem soa
Ter outra visão da cidade por inteiro
Navegar no refulgente Tejo
É como ter um sonho verdadeiro
Atracar no cais de Cacilhas
Donde adveio o baptismo de cacilheiro
Agora mais moderno, o catamarã
Sempre com aquele nome, o primeiro
Embora com duas imponentes pontes
Outros destinos, outro timoneiro
Mais barcos de transporte no Tejo
O mesmo tipo de passageiro
O que vem diariamente para a cidade
Trabalhar, para viver, ganhar dinheiro
Nem lhe ocorrerá sonhar
No hábito daquele balouçar verdadeiro
Muitos barcos podem ser vistos
Viajando e mirando dum cacilheiro
Por ali passa todo o mundo
Um mundo verdadeiro
Tudo a tornar a bela Lisboa
Como se fora um mundo inteiro
No seu incessante vai e vem
O velho cacilheiro

Daniel Costa

quarta-feira, 1 de junho de 2011

POEMA OS RIIOS CORREM PARA O MAR



O RIOS CORREM PARA O MAR

Um a dia dormia a sonhar
Estava só numa floresta
Não tinha quem amar
Era à beira dum rio, a jusante
Magiquei construir uma piroga
Para navegar até à praia num instante
O coração jamais deixou de bater e amar
Enquanto pensava só, recordei
Os rios correm para o mar
Ainda que estivesse distante
A uma praia haveria de ir parar
Raios de sol a torná-la brilhante
Um mar sereno, de tranquilidade
Na sua imensidão
Cheio de amenidade
O amor havia de encontrar
Na praia onde haveria a mulher
Com quem juras de amor havia de trocar
Estendidos na praia
Mar sereno à vista a testemunhar
Cheiro a maresia tonificante
Sonho lindo numa noite de luar
Teremos sempre os sonhos assim
As sonhadas ilusões não devem acabar
Enquanto os rios correrem
Os rios correm para o mar

Daniel Costa