quinta-feira, 30 de junho de 2011

POEMA ENCONTROS


ENCONTROS

Vida é feita de encontros
Uns válidos e profícuos até mais não
Outros podem ser tidos como desencontros
Por vezes sabe-se de imediato os possíveis danos
Outros passarão subtis
Vão desnudando-se ao longo de anos
Desses não falemos
Vamos esquecer enganos
Embora sejam dolorosos para a alma
Configuram desenganos
Sejamos optimistas
Há encontros de toda a ordem
Muitas pistas
Encontros para troca impressões
De permutas de dados, até sobre hóbis
De cultura em todas as direcções
Várias outras
Verdadeiras tertúlias e reuniões
Nas mais altas esferas
Podem ser propositadas para despistar espiões
Pode haver encontros com amigos
E amigas em várias ocasiões
Por vezes se definem contratos
Outros apenas conversas amena
Agradáveis tratos
Podem passar a ser verbena
Não há enganos, mas afinidades
Os encontros devem ser sanos
Novos, menos novos
Afinal somos todos humanos

Daniel Costa

quarta-feira, 29 de junho de 2011

POEMA MEUS VELHOS AMIGOS


MEUS VELHOS AMIGOS

Deverei ter inimigos
Porém quem recordo
São os meus velhos amigos
Lembro todos sem excepção
No entanto, gostaria evocar
Os que não chegaram a ter união
União com a modernidade
De aprender a ser novos com paixão
Saberiam que nunca se é velho
Aprende-se a ser novo de mente e coração
Quando a idade aponta os setenta
Deve sentir-se uma vida de aventura e emoção
Bastantes anos poderão ter-se lutado
Lutado com denodo e paixão
Mas os amigos que nos deixaram
Sua alma nos deve merecer veneração
Afinal sente-se que foram amigos
Mas já não sentem esta sensação
De aprender a ser novos
Viver esta nova palpitação
Do amanhã ter deixado de ser futuro
Explico então
Deixou de poder ser dado tudo como certo
O mundo está globalizado
O que hoje está perto, amanhã pode ser deserto
Quando se está prestes a chegar aos setenta anos
Sabemos que se viveu de luta
Não de enganos
Agora aprendemos com os mais novos
Modernos planos
Estes podem aprender connosco a ser
Dia a dia mais humanos
Que não poderão nem deverão viver
De miragens num deserto de enganos

Daniel Costa


domingo, 26 de junho de 2011

POEMA O QUE É A FELICIDADE?


 
O QUE É A FELICIDADE?

Pensar com serenidade
Não será parecido com indecisão
Deverá ser indício de felicidade
Que nunca se encontrará nas voltas que se dão
Está sempre já dentro de nós
Esse sonho de mansidão
Vou contar uma história que sorvi
Era rapaz, garoto então
Era uma vez um príncipe infeliz como nunca vi
O pai, rei de muitas riquezas sofria em vão
Chamado o melhor adivinho dali
Preconizou ao rei uma versão
Que o príncipe vestisse a camisa de um homem feliz
E o príncipe continuava na sua solidão
Reunindo os seus conselheiros, viram que seria difícil
Encontrar o homem feliz na ocasião
Então o rei enviou emissários por todo reino
Havia de haver alguém feliz na sua grande possessão
Muito correram os emissários
Andaram bastante, sempre em vão
Depois de se avistam com muitos, vários
Foi encontrado um pastor
Quase tão simples como os animais do rebanho
Portanto longe de ser um grande senhor
Perguntado se era feliz, então foi e disse:
A felicidade deve ser o meu único amor
O rei mandou oferecer em troca pela camisa
Um grande saco de dinheiro, um grande penhor
Vivo feliz cá no monte com o meu rebanho
Mas nunca usei tal peça de roupa senhor
Desde logo deduzi do amanho
A felicidade tem de estar dentro de nós
E devemos lutar sempre
Para que a felicidade nunca nos deixe falar a sós

Daniel Costa

quinta-feira, 23 de junho de 2011

POEMA CARQUEJA


CARQUEJA

Carqueja é nome de terra
Devido a um Serial Killer
Anda actualmente na berra
Nos anos cinquenta que a conheci
Miúdo, sempre por caminhos areentos
Entre pinhais e a corta mato várias vezes a vi
Aldeia do concelho da Lourinhã
Antes a mais isolada
Ficava muito chã
Não havia estrada
Havia algumas mulheres bonitas
Sempre a trabalhar na dureza do campo
Ali ganham cores rosadas e catitas
Do Serial Killer sabe-se onde morava e fazia covil
Sabe-se o nome das vítimas
Para os investigadores não é gentil
É evidente, sabia o que fazia
Dos despojos nada diz, o vil
Não tem o julgamento popular
Que na década de cinquenta, era uma razia
Era uma atracção da feira semanal da vila
As noticias de crimes que no pais havia
Eram entoados ao som de acordeão, como um perpetuado
Na vizinha freguesia da Moita do Ferreiros
Por um amante que matou o marido da pretendida mulher, o danado
O chamado folheto rezava assim:
“Ele pela amante foi levado
Mas antes de fazer o delito
Devia te pensado”
Outros tempos!,,,
A passar a corta mato pela Carqueja
Ia comprar pedras de cal branca ou cal almagra para eventos
Recordo o passar e mirar, a velhíssima árvore que me extasiava
Para caiar a casa nos sazonais tempos
Recordo os fornos de cozer a pedra calcária
Foram tempos simples, recordo-os como portentos
S. Bartolomeu
Actualmente com acréscimo dos Galegos
Pela aldeia da Carqueja que ficou na memória passei eu
Daniel Costa

terça-feira, 21 de junho de 2011

POEMA MARIA MORENA



MARIA MORENA
 
Lá vai ela toda catita
Chamam-lhe Maria Morena
Reparem, é bonita!
Sempre bela, seu sorriso é de mulher serena
Mora na aldeia à beira mar
Aquela boa pequena
A brisa do mar fá-la ficar tisnada
Por isso lhe chamam Maria Morena
Vai sempre airosa, sempre bonita
Ajeitando a melena
Impecável no seu vestido de chita
Apenas muda de tecido para os dias de festa
Ajuda a mãe nas lides domésticas
Nota-se a sua frescura
Como nas flores amarelas das giestas
Seu semblante denota ternura
Mais azougada, quando sonha festas
Contudo demonstra candura
Quando rodopia nestas
No seu íntimo pode notar-se alvura
Quando um pretendente a namorado
A assedia, freme na altura
Porém diz não ser tempo de pretender ter amado
Prefere ainda o coração na brancura
Maria Morena
Deseja continuar amar
Ser apenas a boa pequena
Quantas vezes, à vista do mar
Se quedará a cismar ainda Maria Morena?

Daniel Costa

Abrir o lik para ouvir ovir e ver o fado em São Paulo

http://www.youtube.com/watch?v=Q_6y5RVd9WE

domingo, 19 de junho de 2011

POEMA À BEIRA MAR

Foto: Daniel Costa


À BEIRA MAR

Na falésia à beira mar
Medito e descanso
Na frente o mar infinito como um altar
Ali estou num remanso
Acordo da letargia
Desço à praia
Findou o descanso
Vagueei sempre de atalaia
Num olhar, como se fosse de vigia
Olhando as belas que são
Sorvendo o fresco da maresia
E o bronzeado que lhes traz o sol
Com o iodo de todo o dia
Numa tranquilidade, como se empata o anzol
Olhava e fixava como se acalmasse fobia
Enquanto mergulhava e boiava
Uma mulher muito bela sorria
Sorriso bonito para mim
Dum jeito como se fora
Canção de Vinicius, Nara, ou Jobim
Estava só, estaria louco?
Parecia uma sereia
Olhei mais um pouco
Estava encantado
Teria ficado mesmo louco?
Não estaria a ser catrapiscado?
Se me dispunha a olhar
Desejaria ser olhado
Porém tinha a namorada
Do outro lado
Não procurava amada
Adorava enfim
Que uma mulher à beira mar
Sorrisse para mim

Daniel Costa

quinta-feira, 16 de junho de 2011

POEMA MORENA CATRAIA

 
MORENA CATRAIA

Vejo-te como uma lua azul
Cuja terá brilho reluzente
A lua pode esquecer o norte e o sul
Passar de nascente para poente
Imagino-te morena
Mulher bela de alma atraente
Onde andas pequena?
Quero que sejas de estado azul
Dum azul reluzente
Porque te imagino mais a sul
Nunca a poente
Serás minha catraia morena
Amo imaginar a tua delicada mente
Pôr-me a pensar seres uma doce pequena
Que vagueia pelo meu universo
Catraia morena
Estarei no eu inverso?
Porém quero-te muito… pequena
Desejo, imploro e peço
Desejo vogar rumo em tua direcção
Ainda que seja
Num batel de ficção
Se for necessário provar
Embarco mesmo em foguetão
Gostar de te amar
Não é ilusão
Estou pronto a chegar
Provar o amor com devoção
Que seja por toda a vida
Com emoção e contemplativa paixão

Daniel Costa